Mais um dia sem chuva. Outra tarde em que seria possível assistir os pássaros caindo esturricados das mangueiras, devido ao famoso sol equatorial, só que sem a não menos famosa chuva das duas, ou das três, quatro, uma, etc.
- Calor do caralho, né Badigo?
- Cala a boca e passa a bola Romário...
- Peraí que eu ainda não fumei!
- Cabeçudo!
A tarde estava mesmo muito quente, então aqueles dois rapazes estavam apenas sentados ali pelos bancos, observando o movimento sob a sombra de uma mangueira, enquanto acendiam um baseado.
- Olha só aquele ali!
Um passarinho verde, completamente esturricado, acabava de cair no cimento, estalando e se partindo feito um galho seco. O céu não tinha nenhuma nuvem, a única coisa que se podia ver eram alguns urubus que voavam muito alto, tanto que eram indistinguíveis à distância, semelhando pontinhos pretos numa tela azul. A fumaça que tragavam ajudava a eliminar o último traço de saliva que ainda tinham na boca:
- Pô Badigo! Apaga aí cara, que lá vem vindo os cana!
- Fudeu!
- Adianta apagar não que eu já filmei vocês fumando!
Vieram os três ao mesmo tempo. Estavam a mais de meia hora escondidos, de olho em Badigo e Romário, esperando que os dois bolassem, acendessem e fumassem até a metade, para aí sim poderem dar o flagrante.
- Aí, meu camarada, livra a nossa cara que a gente tinha só esse baseadinho...
- Lá eu sou por acaso camarada de vagabundo? Cala tua boca e afasta as pernas que eu vou te revistar!
- O Badigo tá falando a verdade, essa birra foi eu quem trouxe...
- E o bonitinho ainda tem coragem de confessar! Não quero nem saber, vão os dois pra delegacia nem que seja para assinar a posse de substância entorpecente!
Não teve acordo, e enquanto eles eram conduzidos pelos PMs para a viatura, começava finalmente a descer um chuvisco sobre a cidade, o que não evitou que caíssem mais dois passarinhos esturricados de uma árvore próxima.
Contos em geral, aproveitando a oportunidade da vida dada por Deus, o que gera enormes dúvidas quanto ao destino de cada um frente essa coisa chamada morte. Como um exercício de estar no mundo e de crescimento espiritual, aprendizado e diversão, contribuindo com a construção de uma pessoa melhor consigo mesma e com os outros.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Como Ser Eu Mesmo
...nada a fazer depois do trabalho, ele então decidiu ligar para uma conhecida, de quem certamente estava afins, para darem uma volta. Quem sabe tomar umas cervejas, olhar as pessoas por aí, e depois poderiam ir juntos à casa dele.
- E o que tu achas de eu sair daqui direto pra tua casa?
A franqueza da pergunta pegou-o desprevenido. Era óbvio até para ela que seu interesse era transarem, mas embora soubesse disso, ele não imaginava que ela poderia ser tão direta, num assunto que para a maioria das pessoas é muito complicado, em que se perdem em voltas e circunlóquios, quando o que querem na verdade é simplesmente trepar com alguém, cuja companhia julguem agradável ou que desperte o tesão.
Ela chegou e aceitou a cerveja que ele ofereceu, e ficaram os dois se olhando calados, talvez se analisando, perdidos em seus próprios pensamentos. Ele parou de imitá-la e então perguntou o que ela queria que fizessem, pois além de sexo não havia muita coisa a ser feita ali. No máximo folhearem uns livros ou assistirem algum filme. Ela deu uma olhada nos livros sem maior interesse, então pegou uma antologia poética que folheou um pouco, para logo em seguida largar em cima da mesa, depois parou ao lado do aparelho de som. Colocou pra tocar uma música do Caetano Veloso, que ela achava bacana dele ter ali, porque ela adorava o Outras Palavras, então inesperadamente tirou a roupa e ficou só de calcinha na cama. Segurou-o pelas mãos e disse:
-Vem!
Mais uma vez ele foi pego de surpresa por aquela garota; pelo jeito como ela se portava em relação a ele. Na atitude de quem parte para a caça, desestabilizando-o de tal forma, mas deixando claro que estava a provocá-lo em seu instinto de macho, para que ele finalmente atacasse-a e ela pudesse sentir-se como presa também.
...
Anoitecia quando os dois finalmente se deram por satisfeitos. Os corpos nus suados e ofegantes, abraçados como se fossem amantes já de longa data, que era justamente como eles sentiam-se naquele momento:
- Vítor, posso te perguntar uma coisa?
Ele pensou no quanto aquela garota não parava de surpreendê-lo. Ela chegara dizendo o que queria quando dava na telha, o que poderia ser agora tão grave para pedir-lhe permissão, já que ela não havia se importado a tarde toda? Curioso e fascinado, ele fez que sim com a cabeça. Ela pegou as mãos deles nas suas, olhou-o no fundo dos olhos sem que ele conseguisse desviar, e perguntou:
- O que você achou de mim? Digo, do meu jeito, e quanto à nossa transa e todo o resto?
- Você é sempre tão direta com as pessoas assim? Eu não consigo responder a isso!
- Consegue! Não acredito que estamos abraçados nus e não sentes nada aí dentro! Pode ser um sentimento que venha a se transformar no futuro, caso a gente continue a se ver ou não. Sendo assim você pode contar sem medo de que eu vá ficar ofendida, aí depois eu conto o que achei de você, se tu quiseres ouvir...
Ninguém fala para o próximo o que realmente acha dele, pelos mais variados motivos, o interesse sexual sendo um desses. É óbvio então que ele não contaria a verdade sobre o que achava dela, embora há anos não se lembrasse duma primeira vez em que transara com uma garota e que tivesse sido tão bom. A maneira como sentira ela entregando-se a ele e ao prazer, uma trindade existindo desde o começo dos tempos, envolta em mistério e temor, que vibrava eternamente na mesma sintonia e que em minúsculas existências se realizava. Além do mais, tinha medo de qual seria a resposta dela, pois com razão julgava que ela dir-lhe-ia exatamente o que achava dele, e temia que ela descobrisse-o um perfeito idiota.
Sendo assim, antevendo que ela fosse rebaixá-lo, portanto já amesquinhando um pouco o sentimento que mal despontara, disse que não achara grande coisa. Que se ela queria saber a verdade, já transara com mulheres mais gostosas, ela fosse desculpando ele falar naqueles termos. Disse que gostou do corpo dela e que por isso poderiam continuar se encontrando, mas que achava esse negócio de só falar a verdade não só impossível das pessoas fazerem o tempo todo, como achava também que ela estava fazendo tipo, porque ninguém consegue agir de tal jeito a vida inteira, ela deveria então parar com aquilo, pois ele queria muito mesmo saber como ela realmente era.
- Tu achas mesmo? É porque nunca tinhas conhecido alguém que não tem nada pra esconder, e que por isso os outros pensam que vive escondendo quem realmente é, "fazendo tipo". Enquanto isso a maioria das pessoas, de tanto tentar ocultar dos outros quem realmente são, acabam tornando-se falsas e enfadonhas, no final das contas enganando apenas a elas mesmas!
Ele ficou espantado. Centenas de coisas passaram pela sua cabeça, mas na confusão ele não conseguiu dizer uma única palavra. Apenas olhava o rosto daquela garota, que irradiava uma felicidade estranha, e que possuía uns olhos vermelhos como um pôr-do-sol, queimando por dentro daquele que conseguisse sustentar o seu olhar:
- Bem, Vítor, eu acho que você é...
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Toda Vergonha Só Me Acanha Quando Alguém Me Descobre a Obra
Encontrei-te estirada sobre a cama
Nua, com a mão direita te excitavas
E que apenas repousava a cabeça
fechava os olhos e suspirava
Tão belos os contornos do teu corpo
Me chamando para entrar na tua dança
Deste nosso primeiro encontro
Por que me espanto?
Posso senti-la quente por um momento
imaginando que escapo da mentira
Colhendo a flor que trazes no peito
Metendo meu joelho entre tuas coxas
E segurando firme a mão em teus cabelos
No teu ouvido te chamando de puta
enquanto mexes a cintura feito louca
e eu passo a língua em tuas costas
e beijo com fúria tua nuca
Até que a chuva desaba molhando nossa roupa!
Deixas-me então falando sozinho
Quando finalmente vais embora
e tudo é causa do nosso sofrimento
Só a tua lembrança tão fugaz
trago então para te aliviar do peito
Mas a estranhos contas tuas estórias e me debochas
só deles aceitas as carícias e os beijos
Enquanto tua boca faminta olha-me todo
E o dente que falta é justo o que devora
mastiga o puro ódio que escorre com a saliva.
Mas deixo tudo para trás, solto de tuas garras
Corro nu e o meu membro livre aponta a noite
Com teu olho livre, encontras onde me escondo
Alguém corre em meu socorro e me avisa
Que estás chegando então fujo apavorado
dos teus intestinos de bruxa
Mas quando olho para baixo receio
que de repente minhas pernas desapareçam...
(Resta-me apenas encarar-te agora o rosto, sulcado por todos os infortúnios e tragédias da amarga vida; só me resta chorar o corpo ferido, enterrado em tuas belas presas maculadas; mas em dado momento noto: Certo piscas! Aproveito o momento e me escapulo antes que vejas, ou então que me farejes; pelo menos até que o dia amanheça, pois se me distraio tu me alcanças, e me espeta na tua lânguida preguiça)
Nua, com a mão direita te excitavas
E que apenas repousava a cabeça
fechava os olhos e suspirava
Tão belos os contornos do teu corpo
Me chamando para entrar na tua dança
Deste nosso primeiro encontro
Por que me espanto?
Posso senti-la quente por um momento
imaginando que escapo da mentira
Colhendo a flor que trazes no peito
Metendo meu joelho entre tuas coxas
E segurando firme a mão em teus cabelos
No teu ouvido te chamando de puta
enquanto mexes a cintura feito louca
e eu passo a língua em tuas costas
e beijo com fúria tua nuca
Até que a chuva desaba molhando nossa roupa!
Deixas-me então falando sozinho
Quando finalmente vais embora
e tudo é causa do nosso sofrimento
Só a tua lembrança tão fugaz
trago então para te aliviar do peito
Mas a estranhos contas tuas estórias e me debochas
só deles aceitas as carícias e os beijos
Enquanto tua boca faminta olha-me todo
E o dente que falta é justo o que devora
mastiga o puro ódio que escorre com a saliva.
Mas deixo tudo para trás, solto de tuas garras
Corro nu e o meu membro livre aponta a noite
Com teu olho livre, encontras onde me escondo
Alguém corre em meu socorro e me avisa
Que estás chegando então fujo apavorado
dos teus intestinos de bruxa
Mas quando olho para baixo receio
que de repente minhas pernas desapareçam...
(Resta-me apenas encarar-te agora o rosto, sulcado por todos os infortúnios e tragédias da amarga vida; só me resta chorar o corpo ferido, enterrado em tuas belas presas maculadas; mas em dado momento noto: Certo piscas! Aproveito o momento e me escapulo antes que vejas, ou então que me farejes; pelo menos até que o dia amanheça, pois se me distraio tu me alcanças, e me espeta na tua lânguida preguiça)
domingo, 4 de setembro de 2011
Liga Humana Caramba
Enquanto as coisas simples aconteciam simultaneamente, meu irmão ia para a rua. Eu ficava pois que escovando os dentes com pena de tirar da boca o gosto daquela comida tão boa. Minha irmã pré-adolescente não larga mais o computador, e agora está pesquisando como construir um terrário e um jardim de inverno em casa. Temos agora dois cachorros, e eu não faço a mínima idéia de onde apareceu o segundo, tem quatro meses e é enorme. Tudo isso acontecia ao meu redor sem depepender da vontade de ninguém em especial, pois tinha de acontecer em algum lugar, mas absolutamente não dizia respeito à mim:
Prefiro...
Sinto...
Sou!
- Diz pra eu fazer o que você quer, eu não sei também.
- O que você disse?
- Pegou a tua carteira que estava em cima da cama?
- Pô, é mesmo, eu me esqueci! Sobe lá e pega pra mim?
- Por favor, né meu empregado.
- Ha ha ha ha ha, é mesmo, foi mal...
- Arrrrrrrgghhhhh!!!
Fazer o quê, não é mesmo? Depois de certificar-se que nada necessário tinha ficado para trás, uma hora e meia após o horário combinado, ele finalmente conseguia sair de casa. Quando fui capaz de dizer tudo o que era verdade para mim, para quem realmente importava, não para aquelas pessoas mesquinhas que me cobravam o que é a verdade, algo foi mudado. Mas depois desse algo acontecer, tudo o que era vontade de quem veio perguntar, com certeza por maldade, se aquilo tinha mesmo acontecido, não respondi. Não te disse nada porque achei que seria estranho, mas pensei logo em seguida te dizer, chamar a tua atenção pro meu alarde. Queria dizer-te o seguinte:
Eram seis da tarde
você meteu a cara pela janela
lá em cima
(que a porta eu tranco quando durmo
seis da tarde)
em menos de um minuto
com a kombi parada na porta
a gente conversou
e você deixou essa vela
sem luz, resolvi ler a bíblia
e foi aí que aconteceu a coisa estanha...
A cada palavra que eu lia
parecia dita diretamente para mim
respondendo minhas perguntas
me tranqüilizando e dando fé
de que as coisas iam melhorar
sempre!
Mas somos o que somos
e por isso mesmo
não nos aguentamos...
sábado, 3 de setembro de 2011
Juliana e o Sábado
Ela chegou para ele e pergntou:
- Com licença, mas não é você que é o Carlos? Eu sou a Juliana, amiga da Marcinha, lembra de mim?
Lembrou que conhecera aquela moça numa festa na casa da amiga, no mês anterior. Era bonita à sua maneira, meio dentucinha, o que tornava uma graça o modo como sorria; e tinha os olhos castanhos vivos, que encarava nas pessoas com tamanha alegria e entusiasmo, ainda mais quando se animava a falar, que causava um certo prazer em quem ouvisse-a. Mais ou menos como a sensação agradável que Carlos sentiu, olhando-a naquele instante:
- Eu sei que é meio estranho, aliás é bem estranho, a gente mal se conhece! Praticamente fomos só apresentados, e naquela festa estava todo mundo tão bêbado que eu nem sei como eu guardei o teu nome, mas logo que eu te vi bateu uma empatia sabe? Imaginei "Olha ali um cara interessante", mas você ficou a festa toda falando com uma moça lá, que eu vi e não sei por quê achei que não tinha nada a ver contigo, e que depois me falaram que ela não era nada pra você, mas depois que eu te procurei acho que você tinha ido embora com ela, porque também não vi mais essa moça...
- Eu gosto dessas festas na casa da Marcinha, ele sempre me convida, mas eu nunca tinha te visto lá antes, quer dizer,eu sabia que vocês eram amigos, só não imaginava por que você nunca ia lá. Eu sei que ela te chamava e você não ia... Ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha! Mas é claro que eu sei, sei que vocês também já ficaram, mas não te preocupa que eu não sou ciumenta, não te falei que a Marcinha é minha amiga?
- Olha, me diz o que tu vais fazer hoje a noite. A gente podia então aproveitar este sábado e se encontrar para fazer alguma coisa juntos! Por que a gente não vai assistir um filme, eu sei onde está passando aquele do Fellini, e depois tem um bar lá perto onde a gente podia tomar umas cervejas e conversar mais, que tal?
- Longe de mim parecer muito atirada, mas acho que eu sou assim mesmo, sabe, mas tens namorada? Eu nem ligo, sei como é, porque eu até tenho um carinha também, que eu conheço há um tempão, mas nunca mais liguei pra ele, e eu já soube que ele está saindo com outra menina, então eu dei um tempo. Por enquanto eu estou gostando de conhecer pessoas assim desse teu jeito, sabe? Com essa tua barba e essa tua cara de cafajeste, que me dá uma vontade doida de te morder, que eu sei como é homem assim, que nunca fica sem mulher, eu se fosse a tua namorada, tu ias ver só! Verias o quê que eu ia fazer contigo na cama, pra ti nunca mais querer saber de ficar com outra mulher...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Pensamentos é Dose
Açafrão, corta-se em filetes o mais fino que for possível, depois mistura com o restante do tempero refogando na panela.
As associações de moços exercem papel preponderante na formação do espírito cívico e desenvolvimento da conscência moral dos jovens do país.
As estações do ano dividem-se em Primavera, Verão, Outono e Inverno, exatamente nesta ordem; retornando para o início a cada fim de ciclo.
As pessoas que vemos em fotos, passados cem anos estão mortas, assim como você estará morto quando estiver sendo visto daqui a cem anos, assim como esta outra pessoa que te ver após mais cem anos também estará morta; que se for vista por mais outra pessoa... ad infinitum.
Insetos de qualquer tamanho e de qualquer espécie, preferem os locais escuros e úmidos para se esconder; e quanto mais fétido e repugnante for o meio onde rasteja, pior o inseto.
Os partidos políticos são a fonte da militância e do engajamento do país, para a transformação deste povo em uma sociedade melhor, longe do vício e da corrupção; e a culpa de tanta merda é deste mesmo povo, que não sabe votar.
"Todo político eleito rouba", se existisse, seria um pleonasmo triplo.
A esperança de qualquer pessoa reside no fato de que aquilo que a faz sofrer não pode durar para sempre, nem piorar. No que piora e se estende por longo tempo, dando mais motivos ainda para que tal pessoa persevere na fé.
A beleza é inversamente proporcional à inteligência na maioria dos casos. Mas na minoria, não.
É possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, mas você provavelmente terá problemas quando elas se encontrarem.
Difícil de acreditar, mas mesmo com tudo de ruim acontecendo no mundo, se você está lendo isso agora é porque está vivo, existindo dentro deste lapso de tempo que lhe foi presenteado na eternidade; então esteja feliz.
A curiosidade sobre o futuro, misterioso e incerto, é o que nos mostra a importância de construir as coisas no presente.
Novamente, eventos importantes acontecem quando você menos espera. Logo, esteja preparado.
Deus existe, e não dá a mínima se você não acredita nele.
A receita para ter saúde é viver de acordo com o que acha certo, não importa o que você imagine que seja o certo. Escute o seu coração.
Você não encontrará ninguém que não queira mudar sua vida; mas é impossível encontrar qualquer um que realmente faça alguma coisa para mudá-la.
Tomate, cebola, pimentão e alho; com esses legumes é possível fazer combinações suficientes para temperar qualquer comida.
Assim como a vida, a existência de cada segundo é de primordial importância. Portanto não desperdice seus segundos e aproveite-a.
As associações de moços exercem papel preponderante na formação do espírito cívico e desenvolvimento da conscência moral dos jovens do país.
As estações do ano dividem-se em Primavera, Verão, Outono e Inverno, exatamente nesta ordem; retornando para o início a cada fim de ciclo.
As pessoas que vemos em fotos, passados cem anos estão mortas, assim como você estará morto quando estiver sendo visto daqui a cem anos, assim como esta outra pessoa que te ver após mais cem anos também estará morta; que se for vista por mais outra pessoa... ad infinitum.
Insetos de qualquer tamanho e de qualquer espécie, preferem os locais escuros e úmidos para se esconder; e quanto mais fétido e repugnante for o meio onde rasteja, pior o inseto.
Os partidos políticos são a fonte da militância e do engajamento do país, para a transformação deste povo em uma sociedade melhor, longe do vício e da corrupção; e a culpa de tanta merda é deste mesmo povo, que não sabe votar.
"Todo político eleito rouba", se existisse, seria um pleonasmo triplo.
A esperança de qualquer pessoa reside no fato de que aquilo que a faz sofrer não pode durar para sempre, nem piorar. No que piora e se estende por longo tempo, dando mais motivos ainda para que tal pessoa persevere na fé.
A beleza é inversamente proporcional à inteligência na maioria dos casos. Mas na minoria, não.
É possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, mas você provavelmente terá problemas quando elas se encontrarem.
Difícil de acreditar, mas mesmo com tudo de ruim acontecendo no mundo, se você está lendo isso agora é porque está vivo, existindo dentro deste lapso de tempo que lhe foi presenteado na eternidade; então esteja feliz.
A curiosidade sobre o futuro, misterioso e incerto, é o que nos mostra a importância de construir as coisas no presente.
Novamente, eventos importantes acontecem quando você menos espera. Logo, esteja preparado.
Deus existe, e não dá a mínima se você não acredita nele.
A receita para ter saúde é viver de acordo com o que acha certo, não importa o que você imagine que seja o certo. Escute o seu coração.
Você não encontrará ninguém que não queira mudar sua vida; mas é impossível encontrar qualquer um que realmente faça alguma coisa para mudá-la.
Tomate, cebola, pimentão e alho; com esses legumes é possível fazer combinações suficientes para temperar qualquer comida.
Assim como a vida, a existência de cada segundo é de primordial importância. Portanto não desperdice seus segundos e aproveite-a.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Conto - Piada
Os três caminhavam sob o sol escaldante do deserto a mais de cinco horas, os cantis já estavam secos e eles começavam a sentir os primeiros sinais da desidratação que os levaria à morte. Tinham sido escolhidos para atravessar uma caravana de camelos até a capital, por serem os que melhor conheciam os perigos do deserto, além de amigos de longa data. Apesar disso, não poderiam imaginar que uma tempestade de areia deixasse apenas os três como sobreviventes, entre a vida e a morte, quando ainda faltava a outra metade do caminho para percorrer:
- Ah! Mas por quê isso, me responda!?
- O que fizemos nós para merecer tal desgraça?
- Esperem! Acho que nossas preces foram ouvidas, olhem aquilo ali!
O mais novo deles apontava na direção do que parecia ser um oásis, com algumas palmeiras em volta da água fresca, que parecia brotar como por milagre no meio do nada. Sem perda de tempo, correram até aquela fonte preciosíssima do líquido vivificante, mas logo após o terceiro ou quarto gole, perceberam que aquilo não passava de uma miragem, e que estavam bebendo areia:
- Gasp! Gasp! Argh! Seu energúmeno, como podes dizer que isto aqui é água, se já provei várias vezes e vejo que no copo só tem areia! Estúpido!
Disse isso e deu-lhe um tapa no rosto, atirando-o ao chão. O terceiro tinha permanecido indiferente até aquele momento, mas resolveu intervir para que não houvesse mais agressões:
- Ramsés! Mustafá! Chega! Eu sou o mais velho de nós, e em situações como essa eu devo automaticamente assumir o comando, de acordo com o código de conduta da nossa profissão. Então eu digo que parem com esta briga imediatamente! Se vamos morrer em breve no meio do deserto, que pelo menos seja em paz!
Assim falou Zeroastro, tendo como efeito que os dois fizeram as pazes e se abraçaram. Era uma loucura brigar ali, enquanto a morte espreitava, e precisavam um do outro mais do que seriam capazes de um dia imaginar que talvez precisassem.
Mal tornaram à caminhada, não chegaram a andar nem dez metros, e novamente Ramsés chamava a atenção, dessa vez para um objeto que despontava brilhando refletindo a luz do sol, como se tivesse sido posto por alguém naquele exato momento sobre a areia. Era uma Lâmpada Mágica, e assim que a teve em mãos, Zeroastro esfregou-a. Então do bico começou a sair uma fumacinha, que foi ganhando forma até se transformar num Gênio Bom:
- Como você esfregou a lâmpada, irei atender agora a três desejos seus e depois irei sumir junto com minha Lâmpada. Então, o que vai ser?
Como chefe legítimo pela lei de conduta dos beduínos do deserto, ele não ia deixar seus subordinados e amigos para trás, então concedeu-lhes dois dos desejos a que tinha direito. Depois pediu para dali em diante curtir uma vida de milionário, cercado de belas mulheres e morando de frente para o mar, no que foi prontamente atendido pelo Gênio, que mandou-o para o Rio de Janeiro e fez com que ganhasse na mega-sena.
Mustafá foi mais modesto: queria morar numa ilha cercada de águas turquesa, em que as pessoas vivessem numa comunidade igualitária em que todos fossem donos de tudo e não houvesse propriedade privada, mas onde ele que fosse o chefe e pudesse mandar em todos os outros. O Gênio pensou um pouco, e decidiu enviá-lo para Cuba, onde ele acabou sendo o próximo na linha de sucessão dos Irmãos Castro.
Faltava apenas Ramsés, mas ele não sabia o que pedir. Veio-lhe uma sensação estranha, que se falasse português entenderia ser saudade; parado ali no meio de toda aquela areia e sob aquele sol esturricante, com o Gênio impaciente à sua frente e que não cansava de olhar as horas no relógio de pulso. Naquele momento, tudo aquilo de que ele mais sentia falta era da presença de seus amigos, Zeroastro e Mustafá, que estiveram ali junto dele havia apenas alguns instantes.
Aconteceu talvez pelo calor. Ou pela solidão daquela amplitude vazia, onde nada havia em que pudesse pousar os olhos para se consolar, apenas a figura do Gênio, urgente em sair daquele inferno e voltar para o ar-condicionado. Ramsés fitou então o céu, e murmurou:
- Diabo de dúvida que não existia minutos atrás! Quem dera eu pudesse me encontrar com meus dois amigos mais uma vez aqui, para poder consultar-me com eles, que sempre tiveram um bom conselho para me dar...
Foi então que ouviu um longo suspiro de alívio, e logo em seguida:
- louvado seja Alá! Será feito imediatamente, meu amo, seu desejo é uma ordem! Pronto, aí está! Agora adeus para sempre!
Após o quê, sumiu em meio a uma nuvem de fumaça, como se nunca tivera existido.
- Ah! Mas por quê isso, me responda!?
- O que fizemos nós para merecer tal desgraça?
- Esperem! Acho que nossas preces foram ouvidas, olhem aquilo ali!
O mais novo deles apontava na direção do que parecia ser um oásis, com algumas palmeiras em volta da água fresca, que parecia brotar como por milagre no meio do nada. Sem perda de tempo, correram até aquela fonte preciosíssima do líquido vivificante, mas logo após o terceiro ou quarto gole, perceberam que aquilo não passava de uma miragem, e que estavam bebendo areia:
- Gasp! Gasp! Argh! Seu energúmeno, como podes dizer que isto aqui é água, se já provei várias vezes e vejo que no copo só tem areia! Estúpido!
Disse isso e deu-lhe um tapa no rosto, atirando-o ao chão. O terceiro tinha permanecido indiferente até aquele momento, mas resolveu intervir para que não houvesse mais agressões:
- Ramsés! Mustafá! Chega! Eu sou o mais velho de nós, e em situações como essa eu devo automaticamente assumir o comando, de acordo com o código de conduta da nossa profissão. Então eu digo que parem com esta briga imediatamente! Se vamos morrer em breve no meio do deserto, que pelo menos seja em paz!
Assim falou Zeroastro, tendo como efeito que os dois fizeram as pazes e se abraçaram. Era uma loucura brigar ali, enquanto a morte espreitava, e precisavam um do outro mais do que seriam capazes de um dia imaginar que talvez precisassem.
Mal tornaram à caminhada, não chegaram a andar nem dez metros, e novamente Ramsés chamava a atenção, dessa vez para um objeto que despontava brilhando refletindo a luz do sol, como se tivesse sido posto por alguém naquele exato momento sobre a areia. Era uma Lâmpada Mágica, e assim que a teve em mãos, Zeroastro esfregou-a. Então do bico começou a sair uma fumacinha, que foi ganhando forma até se transformar num Gênio Bom:
- Como você esfregou a lâmpada, irei atender agora a três desejos seus e depois irei sumir junto com minha Lâmpada. Então, o que vai ser?
Como chefe legítimo pela lei de conduta dos beduínos do deserto, ele não ia deixar seus subordinados e amigos para trás, então concedeu-lhes dois dos desejos a que tinha direito. Depois pediu para dali em diante curtir uma vida de milionário, cercado de belas mulheres e morando de frente para o mar, no que foi prontamente atendido pelo Gênio, que mandou-o para o Rio de Janeiro e fez com que ganhasse na mega-sena.
Mustafá foi mais modesto: queria morar numa ilha cercada de águas turquesa, em que as pessoas vivessem numa comunidade igualitária em que todos fossem donos de tudo e não houvesse propriedade privada, mas onde ele que fosse o chefe e pudesse mandar em todos os outros. O Gênio pensou um pouco, e decidiu enviá-lo para Cuba, onde ele acabou sendo o próximo na linha de sucessão dos Irmãos Castro.
Faltava apenas Ramsés, mas ele não sabia o que pedir. Veio-lhe uma sensação estranha, que se falasse português entenderia ser saudade; parado ali no meio de toda aquela areia e sob aquele sol esturricante, com o Gênio impaciente à sua frente e que não cansava de olhar as horas no relógio de pulso. Naquele momento, tudo aquilo de que ele mais sentia falta era da presença de seus amigos, Zeroastro e Mustafá, que estiveram ali junto dele havia apenas alguns instantes.
Aconteceu talvez pelo calor. Ou pela solidão daquela amplitude vazia, onde nada havia em que pudesse pousar os olhos para se consolar, apenas a figura do Gênio, urgente em sair daquele inferno e voltar para o ar-condicionado. Ramsés fitou então o céu, e murmurou:
- Diabo de dúvida que não existia minutos atrás! Quem dera eu pudesse me encontrar com meus dois amigos mais uma vez aqui, para poder consultar-me com eles, que sempre tiveram um bom conselho para me dar...
Foi então que ouviu um longo suspiro de alívio, e logo em seguida:
- louvado seja Alá! Será feito imediatamente, meu amo, seu desejo é uma ordem! Pronto, aí está! Agora adeus para sempre!
Após o quê, sumiu em meio a uma nuvem de fumaça, como se nunca tivera existido.
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