quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um Brinde

        Ele gostava dela. Ela gostava dele. Nunca haviam dito isso um pro outro.
        Ela:
        "Que engraçado! O J. liga sempre, a gente conversa tanto, temos tanta coisa em comum, mas não sei se digo que gosto dele. Ou melhor, tenho certeza que ele sabe que gosto dele como amigo, mas seria correto arriscar essa amizade desinteressada por algo que poderia não dar certo, como um relacionamento íntimo? Sinto que estou preparada para entrar num compromisso, mas infelizmente parece impossível encontrar a pessoa certa. E se ele me rejeitar, ou pior, e se quiser ficar comigo apenas por pena?"
        Ele:
        "Onde estará C. numa hora dessas? O que andará fazendo? Ela diz sempre que não aguenta mais essa solidão, essa coisa de sair com os caras só para beber e curtir uma noite de sexo; que chega a sentir-se constrangida quando no dia seguinte algum deles liga só para cumprir o protocolo, e que para isso não acontecer ela prefere dar o número errado, caso contrário simplesmente não atende o telefone. Mas se ela mesma disse que tem por mim apenas amizade, não vou arriscar a única coisa que nos une por um sentimento que talvez seja apenas curiosidade sexual. Não. Embora seja tolice da minha parte, gosto mesmo dela."
        Ambos:
        -Oi, J.! Estou aqui, o que você queria falar comigo?
        -Pôxa, C.! Mas não precisava vir tão bonita! Senta aí e me faz companhia que já vou dizer o que é. Reparou como está o céu esta tarde?
        -Pois sim! Vi pela janela, estava deitada na cama quando você ligou. Esta luz é mesmo fantástica, parece fazer cócegas na vista!
        -Talvez seja o motivo dessa felicidade. Falar nisso, como vai o R.?
        -Não o vejo faz um tempão. Acho que não deu certo porque quando a gente estava sozinho ele falava muita bobagem.
        -Bem, a gente está sozinho agora e eu passei minha vida toda dizendo bobagens.
        -Ah, mas contigo é diferente. Porque a gente é amigo, não é?
        -Foi, ou melhor, é isso mesmo. Somos amigos, podemos falar o que quisermos sem medo de parecer ridículos na frente um do outro.
        -A propósito, o que você queria quando me chamou?
        -Sabe de uma coisa? Você pode até achar besteira, mas acho que te chamei só pra gente dividir esse fim de tarde.
        -Então, à nossa amizade!
        -Saúde...

2 comentários:

  1. =/
    CamilaCantão, não curtiiu isso.

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  2. eu gostei parabens pelo conto

    http://psicologias2011.blogspot.com/

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